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domingo, 26 de setembro de 2021

Arqueometria da Evolução Divina

O Universo possui muitas camadas que se sobrepõe. Ciclos de diferentes naturezas convivem todo o tempo. São como estradas ou frequências de energia nas quais pode penetrar a nossa consciência. No entanto, quando existe um esforço de evolução, a tendência é a consciência mudar de estrada passo-a-passo, como numa mudança de ritmos e de escalas de evolução. Os grandes iniciados são aqueles que os transpõe resolutamente então, dispostos que estão a não se deter e nem se apegar aos frutos colhidos ao longo da senda.

A Arqueometria simbólica é a ciência das medidas multidimensionais, regida não obstante por leis espaço-temporais de perfeição, integrando e harmonizando o macro e o microcosmo, formando com isto as bases de uma arcanologia universal que reflete a verdadeira natureza cósmica das coisas, como uma autêntica Cabala da evolução. Quando se fala do Manu como homem modelo, ou sobre filiação divina ou do microcosmo perfeito, tudo isto remete pois a este padrão evolutivo e aos frutos regulares que ele é capaz de conferir. 

Na prática representa realizar o máximo de aproveitamento do tempo e do espaço, buscando os melhores locais para a própria evolução e no prazo de tempo mais adequado possível, de modo a obter o maior proveito das condições naturais, culturais e planetárias, como um exemplo-master de sabedoria aplicada. O verdadeiro modelo que um Buda representa é aquela de conduta ou da sua própria postura diante do mundo, entrando os aspectos físicos ou raciais como secundários, embora com idêntica adequação naturalmente.

No Budismo existe então um título principal para os Budas que é aquele de Tathagata, ou “aquele que é como os anteriores”. Contudo, o que se esconderia realmente por detrás deste solene título que afirma a existência de um padrão entre todos os Budas?! Trata-se pois de um padrão evolutivo, retratado de muitas formas nas tradições, especialmente em função das suas três etapas principais de iniciações.

Muitos ensinamentos tratam então destas “três partes do caminho” -e nem vamos fazer alusão aqui a Hermes Trismegisto ou às três fases da Obra Alquímica, ou mesmo à Grande Tríade chinesa. No campo das iogas, o nobre fundador da Grande Fraternidade Universal, Serge Raynaud de La Ferrière, escreveu uma importante obra chamada “Yug-Yoga-Yoguismo” (YYY). “Ioguismo” se refere a todos os preparativos e complementos da ioga. Esta por sua vez, representa as técnicas espirituais em si, sejam física, emocional ou mental. Ao passo que yug, raiz de yoga, significa jugo e unidade, contendo suas próprias iogas especiais. De nossa parte, também relacionamos este quadro à evolução da espiritualidade nas formas de Xamanismo, Ioguismo e Teogonia, tal como se pode naturalmente associar também aos três reinos superiores do planeta, que são a humanidade, a hierarquia e a divindade.

Existem então alguns esquemas famosos que podem ser muito bem aplicados aqui, especialmente a partir das suas bases geométricas ou matemáticas tradicionais, como são o chamado “Teorema de Pitágoras”, já em amplo uso no Egito Antigo para diferentes fins, e a mandala sintética conhecida como Sri Yantra (à esquerda), também muito empregado no Oriente como objeto de meditação, aos quais ainda se pode agregar naturalmente o stupa budista como símbolo do próprio Buda. Existe por fim nesta linha uma série de símbolos divinos compostos muito importantes, do tipo do caduceu e do globo-alado-serpentino (abaixo), e cuja numerologia pode ser analisada através do seu paralelo na forma do Nome Divino hebreu ou cabalista IHVH.

Vale lembrar aqui, que estamos trabalhando especialmente com as formas essenciais do universo, que são aquelas que compõe os cinco sólidos regulares, os quais naturalmente também entram paralelamente na composição destes ciclos -ou seja: o quadrado, o triângulo e o pentágono. Os famosos “brinquedos” enfim com que o deus Baco organizou a Criação, abaixo...

O primeiro destes esquemas seria pois próprio o “Triângulo de Pitágoras”, onde cada face deste Triângulo –tal como a “energia” das suas respectivas geometrias- confere a base para uma dada etapa de evolução ideal do indivíduo, em termos de ciclos obtidos pelos quadrados dos seus valores, como se sabe. Contudo, a fim de se chegar aos resultados finais corretos, é preciso incluir também os valores respectivos do Triângulo central “original” a título de sínteses ou como fractais-de-transição (sempre necessários em termos de ciclos), como abaixo, gerando ciclos sempre bem conhecidos como o katun maia (20 anos), o zodíaco (12 anos –literalmente aqui, o zodíaco Joviano, tal como os 12 ângulos do Tetraedro) e a chamada “idade de Jesus” (30 anos):

             a. Personalidade ...... 16 + 4 = 20 anos

             b. Alma/Psiquê ........ 9 + 3 = 12 anos

             c. Espírito ................ 25 + 5 = 30 anos

                          Total .......................... 62 (anos)

Os termos dados são não obstante generalizações ou ampliações de conceitos esotéricos usuais. ”A” de Personalidade inclui toda a formação humana em termos e infância e adolescência, com seu corolário fractal alcançando a idade adulta. Comparamos então esta formação completa ao xamanismo e ao ioguismo.

“B” de Alma/Psiquê abarca toda a evolução iniciática elementar e mais alguns graus avançados de iluminação –trata-se pois a fase do ioga e das iniciações. E “C” de “Espírito” já abrangerá as evoluções búdicas ou divinas propriamente ditas, simbolizadas então pela hipotenusa do triângulo –é então a fase do yug final.

“A” e “B” somam sete degraus (4+3) com seus 32 desdobramentos então (20+12), bem como nos Caminhos de Sabedoria da Cabala. Então tudo soa como a dizer que, ao se alcançar evoluir nas Sete Iniciações até os 32 anos de idade, a pessoa se habilita a “dobrar a aposta” da evolução numa nova escala de coisas, agora efetivamente divinas e superiores... 

Nesta síntese “C” se reúne daí as evoluções búdicas, mais exatamente os Quatro Corpos do Buda, tal como os Quatro Mundos da Cabala com suas respectivas Árvores Sefiróticas, evoluindo sobre os Quatro Planos Cósmicos (4x6). Por outro lado, a soma B+C remete aos 42 Anos de Provações do Apocalipse, que precisa o ciclo probatório de 40 anos (entre outras medidas de tempo) comum na Bíblia.

Uma das coisas interessantes a respeito do número final 62 (próximo aos 60 ângulos do Dodecaedro e do Icosaedro) –que é um valor todavia desconhecido na numerologia sagrada corrente-, é que corresponde à inversão do “divino” valor 26 de IHVH, e como tal também resultando em oito (ou 26+62=88). Se juntarmos estes dois “oitos”, um horizontal relativo às evoluções primárias e secundárias do Buda (representadas pelas faces “A” e “B” do Teorema de Pitágoras), e outro vertical para simbolizar a contraparte da sua evolução terciária (representada pela hipotenusa ou face “C” do Triângulo de Pitágoras), teremos a cruz do duplo-dorje (ou visvavajra), ao lado. A subtração 62-26 confere por sua vez o valor solar 36 (6x6), ou um ciclo completo de evolução cósmica...

Com tudo isto estamos levantando uma abordagem completamente inédita ou original –até onde se conhece hoje, naturalmente- deste Triângulo em especial, posto que os restantes símbolos já se costuma mesmo relacionar à iniciações. Outro símbolo pitagórico a que temos dado amplo emprego iniciático é aquele da Tetrakys (a fórmula 4-3-2-1, segundo a devida ordem esotérica do símbolo), ao lado, e que corresponde em “média” também ao Triângulo central da Alma-em-evolução no Triângulo de Pitágoras, que é quando se percebe mais claramente a evolução da espiral do tempo.

Ato seguinte passaremos para a arquitetura dos stupas, cuja geometria resulta da mesma forma bastante evidente, demonstrando então a ordem ascendente correta para retratar a evolução Personalidade -> Alma -> Espírito. As interpretações que geralmente se apresenta dos stupas quase se limitam a falar dos cinco Elementos, quando na verdade existe muito mais em vista, alcançando todas as dimensões cósmicas da evolução. O próprio símbolo soli-lunar do topo remete ao Adi-Buda primordial, o Trono Supremo de Yab-Yum Pai-Mãe. Então aquilo que temos realmente ali representado é isto sim uma grande escalada iniciática, partindo do mais humilde até o mais glorioso existente sobre a face da Terra...

Quanto ao simbolismo do pináculo deste stupa, se começa ali a detalhar aquilo que acontece aos Budas propriamente ditos –note-se que a rigor existe uma espécie de duplicação da geometria do stupa neste pináculo, configurando assim as “duas rodas” da evolução dos Budas -representadas por símbolos como os da vesica piscis, as duas HEs do Nome Divino IHVH, o dorje e outros afins. Ou mesma na forma do Arcano VII do Tarô, "O Carro de Deus" afinal estamos mesmo tratando aqui de um grande conjunto setenário de ciclos... Note-se então que a posição central onde se costuma representar os Budas (e usar como relicário) corresponde ao pentágono culminante, e isto possui duplo significado, porque o ponto de mutação é justamente a Quinta Iniciação. Podemos até falar aqui em termos de uma transferência de energia de uma tríade básica para outra superior, “coordenada pelo Adepto”.

No alto de tudo, temos então o mencionado símbolo logóico soli-lunar, que comparamos ao Tao, e onde os dois ciclos de evolução búdica como que se abraçam por fim. Resulta que os stupas recebem muitas variações, derivado das próprias variáveis com que se possa analisar os ciclos búdicos. Regra geral, podemos facilmente pensar que um Buda segue sempre evoluindo, como forma de aperfeiçoamentos finais.

Por fim, temos a mandala do Sri Yantra, ao lado, também representado não raro de forma tridimensional como pequenos stupas, para fins de amuleto de meditação. O quadro abaixo busca delinear pois o “programa” espiritual completo dos Budas, corroborado pela análise dos três ciclos principais do Sri Yantra (outros detalhes são dados em nossa obra autobiográfica “Uma Vida com a Ioga”):

Por fim consideremos a questão da gematria do Nome Divino IHVH, o qual possui notadamente três componentes principais e um repetido (a He). A Fórmula Divina não oferece muito detalhes por si só, porque trata mais é dos quatro princípios da manifestação do Logos, ou das energias características dos quatro tipos de Budas. Mas neste caso, e em se tratando de tema cíclicos, nos será de especial utilidade a Tetraktys de Jacob Boehme construída sobre o Tetragrammaton IHVH, abaixo. Esta Tetraktys especial nos confere então o valor dos 72 Nomes de Deus na forma interativa, como segue:

                                   Iod .............................. 10

                                 Iod-He ........................ 15

                                 Iod-He-Vau ................ 21

                                 Iod-He-Vau-He .......... 26

                                               Total ............... 72

72 anos é um valor astronômico bem conhecido, sendo oportuno como tal para a completa evolução humana. Cabe somar ainda alguns destes grupos entre si para termos as grandes divisões destes ciclos:

10+15 = 25 (próximo aos 24 ângulos do Cubo e do Octaedro)

10+15+21 = 46

Sobre este último em especial, que reúne os Três Princípios Iod-He-Vau, é importante lembrar da usual intercessão da letra Shin (ao lado e também em destaque no tema de Boehme), a 21a letra que praticamente encerra os Arcanos Maiores (em 3x7), ao ser colocada no meio do Nome Divino para lhe dar conteúdo trino de Unidade-em-manifestação, e elevando daí o seu valor para (26+21=) 47. Note-se daí que 48 é um número de totalidade das energias planetárias em algumas doutrinas tradicionais, por representar 4x12 ou quatro ciclos ou rondas de evolução superior da própria humanidade, refletido naturalmente na formação dos quatro corpos dos Budas.

Encontramos aqui pois variantes que contribuem para pensar o nosso assunto com maior riqueza de detalhes, achando termos comum com os outros esquemas já analisados -e mais uma vez poderemos ver o quão precioso é o trabalho multicultural para elucidar os temas mais abstrusos.

Nisto tudo temos, pois, o plano da formação das Três Atenções de que fala Carlos Castaneda. Na infância e na adolescência (ou de “Ioguismo”) forma-se o Tonal, a zona das coisas conhecidas, ou o plano racional, ao longo de um período que corresponde ao ciclo katun maia de 20 anos.

Na fase adulta (“Iogas”) esta mesmo estrutura é então reordenada (ou “retificada”), para ser depois “desconstruída” em definitivo na fase seguinte. Esta reorganização dos elementos da “Ilha do Tonal” visa purificá-los para oportunamente se poder realmente transcender, num período e ritmo evolutivo semelhante à uma Tetraktys pitagórica de 10 anos.

Até que chega a fase do Nagual, a zona das coisas desconhecidas ou dos Mistérios Maiores. Nessa última também podemos fazer uma divisão central entre formação e retificação, que ocorre especialmente em torno dos 40 anos de idade, quando as coisas podem ser também renovadas na direção da unidade final.

Para maiores detalhes sobre estes temas, remetemos também o estudante às nossas obras “Maitreya – a Luz do Novo Mundo” e a “Registros de Hyperion”, do Editorial Agartha.


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