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O Caminho-do-Meio e o meio-de-Caminho


O Caminho-do-Meio é uma realidade própria da consumação espiritual, ao passo que o meio-do-Caminho é, naturalmente, apenas uma condição preliminar.
Não é coisa simples trilhar o Caminho-do-Meio, ele é estreito e perigoso, sendo chamado por isto de “o fio-de-navalha”. Na sua acepção mais elevada, este Caminho-de-equilíbrio se relaciona aos Mistérios da Outra Margem do dharma, e também ao Sendeiro de Retorno dos mestres.
De forma consolidada, ele pertence à esfera da iluminação, mas também do iniciado, e até o discípulo tem vislumbres de sua natureza. A “Tábua de Esmeraldas” de Hermes Trismegisto, busca ensinar sobre este Mistério, especialmente onde diz:
“Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
“Desse modo obterás a glória do mundo.
“E se afastarão de ti todas as trevas.
“Nisso consiste a força maior de todo poder.”
Assim, é preciso passar pela experiência dos opostos ou dos extremos, antes de alcançar o equilíbrio libertador. E isto é muito diferente da tentativa de permanecer “a meio-termo” nas coisas desde o início, coisa que serve apenas como o... “meio-de-Caminho”.
Vale aqui contar, pois, com a Arte da Experiência –ou com o discernimento, a primeira virtude do iogue-, na certeza de que, mesmo nesta busca inicial dos “extremos”, preserva-se o equilíbrio e o bom-senso. Existe uma cota de erros a ser tolerada aqui, para que alguém se mantenha na senda.
E há muitas razões para que o mais comum sejam as “mensagens do meio-do-Caminho”, e nem sempre desencaminhadoras. Vejamos estes dois importantes fatores históricos predisponentes:
1. A Humanidade ainda está a caminho da sua consumação evolutiva.
2. A sociedade não tem vivido hoje um ciclo interno favorável às sínteses.
Assim, no seu geral a humanidade ainda é “peregrina” -sendo esta, na verdade, uma condição inerente à ela-, rumando hoje para a sua própria superação como espécie. A humanidade não alcançou ainda a sua meta evolutiva, pois o ser curso está em andamento, ainda que adentra agora na sua última “raça-raiz”, e na prática a Nova Era cobre tudo o que falta evoluir, porque ao seu final já emerge uma nova ronda mundial.
Ademais, mesmo em seus ciclos internos, como são as raças-raízes, as Idades atuais são negativas e fragmentárias, dificultando o entendimento das sínteses. Este tem sido o arco lunar da Era solar arya, aberto na época do Buda através de uma grande manifestação de Adeptos.
Assim, a mensagem do meio-do-Caminho pode chegar a ser bastante elevada. Basta dizer que Gautama e Jesus foram avatares desta ordem (avatares manushi ou humanistas), com seu ensinamentos mais voltados para a interiorização do homem do que para a organização superior das instituições. Esta colocação pode soar especulativa, afinal o aperfeiçoamento moral ajuda a depurar a sociedade. Porém, não estamos falando apenas de “ética” (ou da “sabedoria” no jargão Budismo), mas de todo um amplo corpo-de-experiências que se pode desenvolver sobre estas bases.
Este Caminho-do-Meio é vislumbrado pelos iniciados e experienciado pelos mestres. Ns profecias, diz respeito aos Mistérios da Consumação, ao Dharma do Buda Maitreya e à Resurreição do espírito –e não da “carme”- sob a volta do Cristo.
Nas suas raízes, o Budismo de Gautama é uma doutrina “mediana” porque objetiva o Vazio (Sunya), ao passo que um dharma “ativo” como o de Maitreya, parte dali para sustentar a Plenitude (Sarva). É verdade que o dharma de Gautama tem sofrido adaptações pontuais através dos séculos, por vezes sob a influência de doutrinas ancestrais de integração, reflexo inclusive da evolução dos tempos, preparando o terreno da síntese na medida em que se aproxima uma Nova Era positiva.
“A humanidade é uma ponte entre o menos-que homem e o mais-que-homem”, escreveu F. Nietzsche. E isto que ele descreve é a condição humana, que é uma passagem no sentido de ser coisa incerta e estreita, sujeita a oscilações, dualismos e conflitos -entre as coisas superiores e as coisas inferiores.
Dizer que esta situação é um Caminho-do-Meio, seria um equívoco semelhante ao acima denunciado, porque é, isto sim, o meio-do-Caminho da evolução planetária... Porém, esta situação está para mudar, com a consumação da evolução humana, da qual a nova Era é a sua etapa final e a grande ponta-de-lança da ascensão mundial.

Evolução política na Era lunar

A tendência “idealista” de toda uma época do mundo, frutificou positivamente nas mãos dos grandes filósofos que não “sucumbiram” de total à falácia anarquista e ao “Humanismo” linearizante do zeitgeist (“tendência de época”) mas, pelo contrário, entenderam a necessidade da ordem e da hierarquia como fundamento social. A profundidade destas visões deu margem a movimentos sociais fundamentalistas, através de mosteiros e de casernas que alicerçaram o Estado social de boa parte desta Era lunar, que é a seguda metade da raça (árya, neste caso), ou os últimos 2.600 anos iniciados com o Buda.
A Idade Média -“média” que também pode ser tanto equilíbrio quanto medianidade, Caminho-do-Meio ou meio-de-Caminho- foi mais “funcional”, portanto, por causa da organização social ancestral (“sociedades bárbaras”) ou inspirada nas grandes filosofias, do que propriamente por causa de qualquer discurso político moralizante, que sozinho apenas pode gerar uma filosofia eunuca. O Ocidente se inspirou mais em Platão/Pitágoras (política da santidade), e o Oriente o fez mais em Aristóteles (política da virtude), com suas influentes Escolas (Academia, Liceu), na medida em que se harmonizavam com as bases religiosas dos profetas, messias e avatares. O mesmo se pode dizer do “aristocrático” Confúcio e do “sapiencial” Lao Tsé na esfera da China, de modo que o espírito das “classes superiores” manteve a ordem social por quase toda toda esta Era lunar, dominada por certo “Humanismo” como costuma suceder, sob a inevitável ascensão da burguesia (Idade de Bronze; Budismo) e depois do proletariado (Idade de Ferro; Islamismo), dominantes como tendem a ser culturalmente, no hemi-ciclo lunar das raças.
Com o passar dos séculos e o começo da Era da globalização no século XVI, estas sociedades perderam o seu dinamismo, e apenas na Modernidade se começou a repensar as bases sociais humanas, através da Sociologia, termo fundado pelo filósofo francês Augusto Comte, o pai do Positivismo e da “Religião da Humanidade”. Estes foram os primeiros passos para a retomada da atividade social tática, tal como se observa na Grande Tradição dos Patriarcas estrategistas da Antiguidade. F. Hegel ainda finca pé no idealismo, mas recoloca bases para que K. Marx possa anunciar, com todas as letras, que a verdadeira política demanda ativismo social, em complemento à virtude dos líderes. “Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas formas, cabe transformá-lo”, afirmou ele. Obviamente, tal coisa ressoa especialmente na juventude, cheia de vigor e sedenta de boas causas.
Neste quadro, surge contudo na era contemporânea, um J. Krishnamurti apenas para dar um “tempero” ainda mais anarquista a uma época de desconstrução, trazendo muitas vezes mais desorientação espiritual, do que efetiva ajuda à necessária reordenação social. Para quem fez as sínteses necessárias de tudo isto, não existem maiores problemas. Urge mais uma vez a sociedade pensar em termos estratégicos, isto é, de classes organizadas, sob pena de não haver força e coesão para inspirar um novo consenso capaz de transformar o mundo. “Espiritualistas do mundo: uní-vos! Porque é chegada a vossa hora.” Sim, os preceitos sociais dos filósofos podem ser adaptados para este momento de urgências, não cabe aguardar o caos porque é uma loteria que não merece ser apostada, e os sofrimentos serão inevitavelmente grandes demais.
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, disse um artista engajado. Afinal o Saber é um palavra da Nova Era, e certamente jorra em abundância da jarra de Maitreya como a boa Colheita das Idades. É o mesmo saber que brilha na espada do Kalki avatar e reaparece na boca do Cristo do Apocalipse, como o Verbo inflamado e criador.

Prenúncios da Outra Margem


O Buda ensinava que o dharma era como um barco que o buscador usava para chegar à “outra margem” da vida. A ilusão é como o rio –ou o “oceano do samsara”- que deve ser atravessado, e que o buscador da Verdade lucidamente identifica como ilusão lançando-se à aventura do desconhecido, tendo o “barco” do dharma como suporte e o Buda (ou seus arhats) como “piloto” experiente ou, senão apenas como instrutor da jornada pessoal.

Esta exposição do Buda sobre o dharma, por si só já chama a nossa atenção. Ao contrário de tantas “escolas” que apresentam as suas doutrinas como dogmas inarredáveis, o Buda queria que cada um chegasse à Verdade maior no nirvana, na qual já não há necessidade de dharmas, regras, leis...

Tal coisa soaria simpática aos anarquistas. Porém, também podemos estimar que, à luz desta realização, na qual samsara e nirvana inclusive se fundem se assim se quiser, outras leis se revelam, dentro de uma nova ordem de coisas.
Ora, sabidamente existem “opções” para o destino humano, especialmente daqueles que estão em evolução. Nisto, talvez os dois “destinos póstumos” mais em voga na Tradição Universal sejam a “busca do céu” e a “reencarnação”.

Ao contrário do que se pensa às vezes, sobretudo no Ocidente, as duas coisas não são incompatíveis. No Oriente se exercita muito bem todas as possibilidades das vidas futuras, não obstante haver também muita superstição.

Ao contrário do que prevê o pastiche espiritista, a Tradição Oriental estima que existem apenas duas razões para a reencarnação: a evolução espiritual e o serviço espiritual. Para o homem materialista ou “desalmado”, não há chances para a sobrevida da consciência. Não existe muita formalidade na vida essencial, porém, por princípio, se uma pessoa é ética, respeita o próximo e exerce a essência dos Mandamentos, então ela tem chances de “sobreviver”, porém mais provavelmente com ajuda da intervenção divina.

Este é um elemento que as tradições xamanistas não detém, e no qual o esoterismo como tal é filosoficamente débil, porém isto talvez até se justifique como caminho de evolução. Explicamos. Quando os mestres de C. Castañeda insistem na necessidade do poder interior para a sobrevida da consciência, em nenhum momento trazem à tona os valores das “religiões universais” que contemplam as pessoas comuns de um lado, e altas hierarquias redentoras de outro. Os iniciados estão, muitas vezes, mais ocupados em suas próprias buscas, e não raro nem existe abertura nas religiões populares para uma tentativa de fusão esotérica, tão dominadas elas estão pelo seu fundamentalismo.

Podemos tranquilamente afirmar, que a idéia da reencarnação nasceu dentro das Escolas Iniciáticas, visando sedimentar os elos evolutivos das linhagens de iniciados e sua perpetuação na Terra. Com o tempo, esta premissa se expandiu, graças à organização da religião, vindo a abarcar etnias e sub-raças inteiras.

Desde o ponto de vista histórico, o dharma de Gautama também tinha o seu “prazo de validade”. De forma rigorosa, este prazo era de 2600 anos, que é o ciclo de advento dos Budas e dos avatares desta categoria. Assim, o rio do samsara a ser atravessado também detinha esta extensão no tempo, culminando pois em nossos dias.

E aquilo que haveria ao cabo deste rio, é a outra margem do tempo, um tempo superior como o Kairós grego, ou mesmo o próprio Oceano do Nirvana... Ora, nesta etapa se revela um outro dharma, trazido pelo Buda Futuro, Maitreya, que já é um Buda ativo e positivo, e não passivo ou contemplativo como o seu predecessor. É um dharma superior que atende aos mistérios do nirvana ou, melhor ainda, à síntese nirvana-samsara, já que aqueles que almejam (e se capacitam) ao nirvana, estarão supostamente liberados da encarnação. Permanecem todos aqueles que necessitam ainda evoluir, ou que desejam servir à humanidade, ou mesmo ambas as coisas.

O dharma “positivo” de Maitreya, é o contraponto perfeito do dharma “negativo” de Gautama. À meta do Vazio (Sunya) deste, segue a meta da Plenitude (Sarva) daquele. Esta plenitude permite um equilíbrio e a harmonia, que se reflete cada vez menos pela negação. Por isto é que a Idade de Ouro preenche as instituições com nova vida e sentido maior, possibilitando um resgate da Civilização –naturalmente porque o contraponto disto tudo estará também sendo respeitado, em vida interior abundante.

Pois assim é que evolui a humanidade, dentro de uma dialética desta natureza, alternando um ciclo hierárquico de unidade, com outro anárquico de dualidades. O dharma positivo está relacionado aos Mistérios Maiores e ao Sendeiro de Retorno, quer dizer: à iluminação.
Eis que este tipo de dharma começa ali onde o outro termina: na iluminação! Assim, o estudo e a investigação dos Mistérios da Outra Margem, é que representam o grande tema do dharma “ativo”.

Estamos falando, pois, dos mistérios do nirvana e, é claro, daquilo que caracteriza o nirvana em escala cósmica, que é o pralaya. Nota-se quão grande é o silêncio ainda existente em torno de todos estes temas, especialmente no tocante à esfera maior -assim como no tocante a uma visão plena e realista do tema "iluminação". E é apenas natural que uma coisa conduza à outra, ou seja: o treinamento nirvânico da humanidade, conduzirá a seu tempo toda a Terra à “outra margem” do Rio do tempo cósmico.

Pontualmente falando, a Nova Era representa o “espaço” que temos para cumprir ainda esta tarefa. Corresponde à metade ativa da Nova Raça, os seus primeiros 2600 anos de evolução. A chegada do “Solstício cósmico” na Era de Capricórnio, demarcará então o final deste ciclo mundial ou manvantara, para dar lugar ao “misterioso” pralaya e à Ronda Futura, anunciando a ascensão da Terra.


Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS, Ed. Agrtha.

Devayana: O Sendeiro dos Deuses

O aristocrático Buda Maitreya

"...um novo Veículo, Devayana, o "Sendeiro dos deuses" (ou dos Anjos), voltado para a Nova raça em seu alinhamento com o plano dévico."
O Livro do Dharma

Uma das formas de designar a nova expressão do budismo universal é como o "Caminho dos Deuses", Devayana, por sua dimensão espiritual própria.
Tratam-se das energias com que trabalha a Nova raça em geral, que ao ser a 6ª Raça-Raiz, ativa as energias do 6° Plano, que é o Dévico, ou seja, o plano em que as energias cósmicas adquirem um verdadeiro padrão de consciência.
E esta realidade diz respeito a uma especial abordagem plenária do universo. O cânone senário representa um inventário completo da dialética cósmica, seus pares de opostos formando um Todo, se bem que não necessariamente integrado em seu conjunto, mas sim em processo de integração.
Tal coisa corresponde as direções cósmicas e tem a ver com os mistérios dos Três Espelhos, abordados de algum modo pelos nahuas e maias, pelos gregos, pelos hebreus, etc.
Na Bíblia, encontramos em vários momentos a presença dos anjos. Aqueles que mais deperto dizem respeito com o presente, são os descritos pelo Apocalipse de São João, na hierofania em que surgem com seis asas (Ap 4,8), no mesmo sentido em que os deuses nahuas e hindús muitas vezes ostentam seis braços, que por vezes também se apresentam simplificadamete como quatro braços , nisto se assemelhando por sua vez a uma descrição bíblica paralela em Ezequiel. Esta última apresenta um simbolismo importante porque integra a famosa mitologia da carruagem celeste, a Mercabah, onde as rodas representam engrenagens cósmicas relacionadas a ciências espirituais como a Astrologia, a Cosmologia, etc.
Ora, esta abordagem plenária do cosmos corresponde a Brahmavidya, a "Ciência da Criação", que fundamenta esotericamente as práticas do Brahmanismo.
No Brahmanismo, a expressão Devayana representa o sendeiro dos deuses, as várias regiões em que se deve passar até chegar ao paraíso de Brahma. Tal coisa não é distinta das seis esferas do Budismo, contidas no Bhavachakra.

A TRADIÇÃO DEVAYANA*

Ainda que a expressão devayana ("caminho dos deuses") tenha sido recentemente atribuída ao budismo, sua origem é antiga na Índia e indica o caminho para o paraíso. No Brahmanismo, existe uma conotação na qual os deuses se dirigem através desta via ao mundo passageiro de Brahma, terminando por representar assim um Sendeiro de Retorno. No Yoga, é a forma como é referido o nadi Pingala, de natureza solar. Diz o Uttara Gita: "Pelo lado direito se extende o nadi Pingala, brilhante e refulgente como um grande círculo de fogo (o sol); este produto de virtude (Pingala) é denominado 'veículo dos deuses'" (II, 11).
Deste modo, encontramos na tradição hindu várias referências a este caminho solar de iluminação, ou a este aspecto positivo e superior da espiritualidade que hoje caracteriza a nova expressão do Budismo.
O veículo budista mais próximo ao Devayana é a linha Vajrayana, de natureza mental e ritualística. Porém, a síntese Devayana é ainda mais avançada, alcançando o plano da matese ou da realização ativa, graças aos vínculos hierárquicos presentes. Da mesma forma como os tibetanos afirmam que o Mahayana se encontra "dentro" do Vajrayana, este também se acha incluído pelo novo veículo. De fato, cada veículo "contém" de forma especial ao anterior.
Todo carro estável possui quatro rodas. A quarta e última etapa está sendo elaborada nesta Nova Era, especialmente no Brasil, ainda que suas bases estejam no Budismo Tibetano e nas diferentes formas de Deva Ioga.



O Devayana se caracteriza como ocultamente intuitivo e altamente pragmático. Atuando todo o tempo com a representação e a dramatização do processo de iluminação, trata-se de uma Escola de Quarto Caminho e, mais que isto, de pleno Sendeiro de Retorno, voltada para as realizações finais do ser humano, surgindo num momento em que a humani¬dade deve conhecer a iluminação de uma forma massiva, não apenas para o surgimento dos novos arhats, mas de toda uma nova humanidade, na expressão da Quarta Raça sagrada (ou da Sexta Raça-Raiz), a Americana.
O novo budismo é a um só tempo renovador e tradicional. Seus profundos recursos resgatam inúmeros aspectos ocultistas, reunidos numa síntese dinâmica. O antigo budismo –especialmente a rama tântrica preservada no Tibet–, é incorporado ao lado das modernas revelações da sabedoria da Loja Branca, tal como a Teosofia (que ficou conhecida entre outras formas como "Budismo Esotérico") e seu desenvolvimento através da Filosofia Esotérica de Alice A. Bailey, empregados como base de uma nova revelação, posto que o "caminho dos deuses" reflete a Tradição da Cúpula de Cristal dedicada à Hierarquia dos Mestres e dos Anjos que entra atualmente em vigor.
O Budismo surgiu sob o raio da Harmonia-Mediante-o-Conflito, daí haver desenvolvido o Caminho-do-Meio. A transcendência mediante o equilíbrio é uma das grandes características budistas. O chamado "vazio" (sunya), em suas várias expressões, é apenas a consciência neutra ou equilibrada dentro de algum par de opostos. O Budismo Devayana atua diretamente com estes pares de opostos, através dos chamados "Espelhos de Sabedoria". Ele busca estes relacionamentos através de seu inventário dimensional, que inclui especialmente os princípios de hierarquia, de tempo, de espaço e de gênero. Tratam-se, pois, dos aspectos fundamentais da existência, as bases sobre as quais toda a vida está assentada. E sobre estas quatro bases, surgem as Três Grandes Verdades do Dharma Tushita (ou da Felicidade, tushti):

1. O Ser Humano está destinado à Felicidade;
2. A Felicidade reside no Equilíbrio;
3. O Equilíbrio se assenta na Doutrina dos Espelhos de Sabedoria.

Observamos assim que, ao contrário do dharma negativo de Gautama, este focaliza não a dor da existência (tat), mas a felicidade do ser (sat). O próprio vazio não é em si uma meta, posto ser uma condição instável. Ele é colocado como algo dinâmico, na base para algo mais elevado, através de um novo plano de relações. Estes pares de opostos são vistos assim como elementos a serem percorridos no rumo da consumação da condição humana.
O Devayana é assim o veículo dos deuses ou dos iniciados, aqueles que buscam a síntese atuando diretamente sobre as dimensões contrárias e complementares, convertendo as dualidades em dialética. Os devas ou anjos representam também estas energias elementares e as próprias forças da iniciação.

* O Pentalfa, Outono 2001, pgs. 3-4, Sociedade Universalista Nova Albion, PoA, LAWS

Da obra "Dharma - a Canção da Vida", Luís A. W. Salvi (Dzopa Gyatso).


* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957

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MAITREYA SANGHA

Tushita: O Reino da Felicidade


"Tushita é o estado de felicidade por excelência ...a conquista da verdadeira felicidade depende de elevado poder espiritual adquirido, pois se trata da posse da luz."
"O Livro do Dharma"

A implantação de um Reino de Luz é sinônimo de Idade de Ouro. Que ninguém julgue que a anarquia pode conduzir ao Superior. Ainda assim, pode-se entrever que uma sociedade realmente educada, possa alcançar um grau de autonomia de fato notável (a Índia é hoje um exemplo que surpreende a sociedade mundial). E sem dúvida, é isto que a Hierquia planeja realizar, porquanto o objetivo da nova Dinastia de Mestres é justamente afirmar a soberania da Humanidade como aquele Reino por excelência a ser contemplado e coroado nesta Ronda, e já nesta mesma Raça-raiz em implantação.
Tudo isto partirá, no entanto, da reforma institucional, sobretudo a disposição dos Hierarcas iluminados no governo das nações, especialmente naquele povo eleito no qual surge especificamente o Avatar, sinalizando sua Missão universal.
Esta é uma premissa tradicional e imprescindível em toda a sociedade superior. É um pequeno preço inicial que o mundo deve pagar, ou seja, reorganizar suas instituições de modo a colocar no governo os verdadeiros Iniciados, ou melhor, os próprios Mestres. Ninguém deve ter a ilusão de se poder alcançar grandes conquistas espirituais se forma isolada do Todo. E a síntese entre política e espiritualidade é uma espécie de base universal para a implantação da Idade de Ouro. Deus deseja reinar sobre o seu mundo, e para isto Ele vale-se de seus Representantes, que são um só com a Sua soberana vontade.
Por esta razão, o alinhamento e o serviço ao Reino representam a mais nobre das causas, porque o Reino é uma síntese divina e universal. Daí que todos aqueles que participam da construção do Reino, adquirem méritos cármicos especiais, e se diz que se tornam nobres em suas almas. Qualquer gesto em favor do Reino divino apenas pode render frutos multiplicados, porque não pode haver nada mais importante e sagrado que o Reino.
Através das gerações, o mundo tem sido o espólio do Mal organizado. A tirania e a hipocrisia tem se revezado para dirigir as sociedades, ora aprisionando-a com cadeias externas, ora iludindo-a com a falsa autonomia.
Raros são os momentos em que o Senhor governa realmente o mundo. Ainda assim, nestas fugazes e remotas Idades de Ouro, bases importantes são implantadas, fazendo com que o mundo volte a se aprumar com os desígnios divinos e possa assim dar início a um novo ciclo de civilização.
O Novo Reino a ser implantado no mundo, trará a culminação do Plano divino para a raça humança. Expressará a plena realização dos potenciais da Humanidade, que é o Reino por excelência em desenvolvimento nesta ronda que culmina através da nova Raça-raiz. Daí se poder dizer que a nova grande Ordem espiritual se trata do Reino Humano por excelência...
O Reino em si é certamente o Universo da Luz, pois a conquista da Iluminação coletiva. O dom da Iluminação é a grande dádiva da Nova Raça.
Existe é claro uma Ordem especial para o novo Reino. Neste sentido, par exemplificar, é a primeira vez que uma Dinastia detém uma Triarquia, ou seja, uma hierarquia tríplice de iluminados, sendo capaz, portanto, de se organizar sistematicamente em termos de uma Sinarquia ideal.
Esta será definida pelos graus 4°, 5° e 6°, relacionados respectivamente ao poder material, à esfera religiosa e ao domínio científico, ou seja: tal como apresenta Saint-Yves d'Alveydre a função dos escalões sinárquicos.

Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS.

Sarvagatha Dharma: A Lei Plenária


Sarvagatha Dharma em sânscrito, (significa) literalmente “aquele que se estende para todas as direções”, e em termos filosóficos universais, o “Universalismo”.
O Livro do Dharma

Como tudo o mais, as leis espirituais evoluem e se completam. Assim também se passa com o Budismo. Com a chegada dos novos ciclos, o antigo Dharma budista se vê coroado por uma nova fórmula que o completa e amplia. A nova verdade racial se integra com os antigos trabalhos espirituais realizados especialmente no Oriente, mas que também vem sendo trazidos para o Ocidente neste final de ciclo.

Todos conhecemos a doutrina de Gautama Buda, baseada na constatação da ignorância da verdade espiritual, na identificação da origem desta ignorância nos apegos materiais, na possibilidade de sua supressão pelo desapego da matéria, e nos caminhos para a sua superação através de atividades materiais, morais e espirituais corretas.


Este dharma é chamado Sunyata Dharma, ou Lei do Vazio, e consiste num processo espiritual coletivo destinado a purificar o espírito. Destina-se também a depurar a consciência racial de uma série de conceitos antigos de casta, religião e ordem, sempre que estes preceitos se encontrem desgastados. Isto não significa portanto que tais conceitos sejam maus em si mesmos, mas sim que, com o tempo, eles se esvaziam em suas essências, cabendo então neutralizar estes conceitos através de um dharma de Vazio ou de desapego às formas.

Tal processo é cíclico na história das religiões. Um ciclo de estruturação institucional é seguido por outro de esvaziamento das formas. E este por sua vez servirá de base para uma futura estrutura formal de civilização.

Pois bem; este último representa o novo momento espiritual, ou seja, estamos novamente diante de um ciclo no qual a forma volta a servir de meio para o espírito, tal como ocorreu na última Idade de Ouro, há cerca de 5 mil anos atrás.

Para fazer frente a este momento, ressurge o tradicional Sanat Dharma, ou a "Lei Eterna" dos hindus, também chamado no Budismo de Sarvagata Dharma ou "Lei de Totalidade", base do Dharma novo Buda. Este consiste então de três Grandes Verdades:

AS TRÊS GRANDES VERDADES (MAHA SATYATRI)

1. TUSHTÎ ou "Felicidade" (Maha-Arhati)
Definição: O homem se encontra destinado à Felicidade.

2. TULA ou "Equilíbrio" (Sarva-Santocha)
Definição: Toda a Felicidade reside no Equilíbrio.

3. MAYATRI ou "As Três Mães" (Marga-Turîya-Kâ)
Definição: (pela "Doutrina dos Espelhos")

A "Doutrina dos Espelhos" é em si mesma uma síntese de todos os dharmas e de todas as dimensões do universo, devidamente harmonizadas e equilibradas entre suas dualidades. Eis abaixo a sua formulação:


A DOUTRINA DOS ESPELHOS

Assim como é em cima é em baixo;
eu e meu próximo somos um em Deus;
o passado se repete no futuro;
o masculino se identifica com o feminino;
o interior se reflete no exterior.
E vice-versa em todos os casos.

Estas sentenças de harmonia edificam, pois, os decretos Universais de Unidade. Neste conjunto, o princípio de Hierarquia ("assim como é em cima é em baixo") foi trazido por Hermes Trismegisto, o princípio de Causalidade ("assim como foi no passado será no futuro") pelo Hinduísmo, o princípio de Identidade ("eu e o próximo somos um no amor de Deus") pelo Cristianismo, a dialética de Totalidade ("o interior se reflete no exterior") é especialmente trabalhada pelo Taoísmo, e o princípio de Polaridade ("o masculino se reflete no feminino na unidade das formas") é um aspecto a ser desenvolvido agora com Maitreya, na medida em que requer uma expressão plena do ser humano, representando a coroação de todos os dharmas.

No dharma de Gautama, tivemos o estabelecimento de um determinado fundamento mental –prajna–, para em seguida, sobre u'a mente purificada, elaborar uma nova situação consciencial que se manifestaria como compaixão (karuna) e simpatia (maitri). O dharma quaternário de Sidarta referia-se à dor inerente à esfera da manifestação material sujeita à ilusão e ao desequilíbrio, apontando para a sua neutralização. Ao passo que o dharma ternário de Maitreya alude à felicidade verdadeira e sagrada de se poder vivenciar o cosmos na sua plenitude, através do perfeito equilíbrio dos opostos, dando lugar à auto-realização plena na experiência da síntese interdimensional.

De certa forma dir-se-ia, portanto, do novo Dharma de Maitreya, em relação ao antigo de Gautama, o mesmo que Jesus proferiu sobre seu papel em relação à velha Lei de Moisés, isto é, que veio não para revogá-la, mas para completá-la, ou senão para coroá-la, uma vez que cada dharma apenas pode ser edificado sobre os fundamentos anteriores.

A prática e o estabelecimento da percepção do vazio ou de Maya, é em si uma técnica preliminar essencial à didática búdica, e será novamente reconferida à humanidade no conjunto da didática de sua formação consciencial (e da prática meditativa, como é normal), porém agora calcada sobre novos fundamentos, adaptados ao mundo moderno, como por exemplo, com o devido esclarecimento acerca de sua função apenas provisória e, sobretudo, providencial. "Maya" agora, purificada, se tornará um meio de liberdade real para o homem, e não apenas de aprisionamento e libertinagem.

Diga-se então que, para Maitreya, a Verdade não é Vazia: ela é Plena. E isto não representa apenas distinções semânticas, mas diferenças de pontos de vista. O ocidental é dinâmico, e não poderia jamais acatar um Dharma vazio.
Os novos arquétipos raciais estão presentes nas escrituras dos povos, especialmente nas suas profecias.

Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS.

Conheça também a obra “Tushita - o Dharma de Maitreya” 


Sobre o Autor

Luís A. W. Salvi é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV 

Imagem: LAWS  no Templo de Kwan Yin, 2008, Alto Paraíso.

Mahasatyatri: As Três Grandes Verdades


...as novas Verdades falam o oposto do que Gautama pregou, indo além do antigo Dharma; daí lhe serem complementares. Elas possibilitarão à humanidade a iluminação real daquela consciência purificada e adquirida, ou seja, a disposição de novos campos positivos de atuação, porém superiores, graças aos grandes ideais despertos na alma grupal.
O Livro do Dharma

ao lado: O Buda-Trino (Maitreya-Gautama-Chenrezig). A tríplice missão ou o corpo-trino (trikaya)

O estilo de formulação do Dharma em Maitreya, é em tudo análogo a Gautama. Todavia, existe uma diferença fundamental de Propósito entre ambos, trazendo a troca de direções das energias em seus postulados. O dharma de Gautama é negativo, e o dharma de Maitreya é positivo. Assim, a base do Sunyata-Dharma, que é a existência Dor, deve ser negada. Ao passo que a base do Sarvagatha-Dharma, que é a possibilidade da Felicidade, deve ser procurada. Os Caminhos propostos em cada dharma, servem então a estes Propósitos.
Isto corresponde também à diferença entre Trindade e Ternário, conforme é apresentado no Livro do Dharma ("Tushita - o Reino da Felicidade", Ed. IBRSASA, SP, Capítulo 6).

Contudo, o dharma de plenitude de Maitreya, parte de bases anteriormente implantadas pelo dharma de pureza de Gautama. É a santidade sendo coroada pela excelência. Por isto o novo dharma parte daqueles conceitos que embasavam e coroavam o dharma de Gautama, como a compreensão da dialética cósmica o Vazio inerente, assim como os princípios-síntese de outros Avatares, reunindo-os e desenvolvendo-os nas suas múltiplas expressões (Mayatri), visando a Totalidade, manipulando-os extensivamente através das Ciências sagradas, bem orientadas e empregadas, de forma científica e ética. Com isto se chega a um equilíbrio (Tula), o qual emprega o conhecimento iluminado como base, proporcionando uma síntese adequada, que é o Vazio em si. Uma nova síntese dos graus de Vazio é elaborada, até que a matese (realização) é alcançada, proporcionando a derradeira Felicidade (Tushtî).

Assim, a rigor Maitreya refaz de início a análise cósmica de Gautama e também de outros Avatares como Thot e Jesus, ampliando-as numa espécie de recapitulação histórica. Codifica em forma de ciências suas energias, capazes de fornecer o devido equilíbrio pelo domínio de todas as suas facetas e ritmos. Esta é a Etapa Mayatri-Tula. Quando se gera o domínio das várias ciências, têm-se as sucessivas iniciações, que culminam no Grande Espelho, ou a Iluminação. É então a etapa Tula-Tushtî.

1ª Grande Verdade: TUSHTÎ

Tushtî é o dom da felicidade inerente à toda natureza divina. Mesmo na dor, o sábio iluminado compreende que trabalha pelo Bem, e recebe consolos divinos por seus esforços, assim como a esperança de alcançar tudo o que deseja e necessita em suas puras, justas e elevadas aspirações.

Algumas grandes Metas-chaves sintéticas são dispostas neste quadro, configurando por fim uma matese final. Enumeram-se assim três Sínteses, expressas e concretizadas como: a. Saúde Perfeita (nível físico); b. Almas-Gêmeas (nível psíquico), e c. Mente Criadora (nível mental).

A Grande Meta final que se obtém pela reunião de tudo é, certamente, a Iluminação, que proporciona poderes sobre o corpo físico e, com isto, sobre a própria Morte...
Na Nova Era, sob a orientação do dharma, a Iluminação é alcançada de fato, e não como mera hipótese no pós-morte como nos tempos atlantes. A Sangha do Novo Mundo comporta massivamente potenciais exatos para esta suprema Conquista.
Esta etapa se relaciona ao Novo Ashram e ao Espírito divino ou Dharma¬kaya.

2ª Grande Verdade: TULA

Tula é o sendeiro-de-equilíbrio que leva ao Estado Feliz. O equilíbrio pode ser procurado sob muitos ângulos. Pode parecer que o equilíbrio não leva muito longe, no que diz respeito às grandes conquistas do espírito. A imagem das montanhas e do vôo das águias soariam mais compatíveis. Mas, se pensarmos o quanto o homem está distante da verdade, então compreenderemos que o equilíbrio é algo raro e também elevado. Equilíbrio nos relacionamentos, na forma de se nutrir e de se vestir. Equilíbrio nos gastos financeiros e no uso dos recursos naturais. Equilíbrio nos ritmos pessoais e no emprego do tempo.

Basta pensarmos no seguinte: a verdadeira natureza humana pode chegar a ser uma coisa muito elevada, quando nos consideramos verdadeiros filhos de Deus. Como trata o mundo e a sí próprio um filho de Deus? Certamente com todo o respeito. Ele será comedido e harmonioso. Respeitará todas as formas de vida, relacionando-se com elas de forma suave e leve, sem provocar maior impacto sobre o ambiente. Esta parcimônia apenas qualifica as atividades em questão, que podem ser físicas (como a nutrição), psíquicas (como o amor conjugal) ou mentais (como a busca de conhecimento e informação).

De início, estamos falando, é claro, do vegetarianismo, o qual, longe de ser qualquer medida radical, é na verdade um caminho-do-meio alimentício, posto que a dieta ideal do homem seria o frugivorismo, o qual, este sim, não estebelece nenhum nível de dano para a Criação, e nem para a própria Criatura. De qualquer forma, elimina-se por completo o carnivorismo para aqueles que desejam realmente entrar no Reino, posto que até nas profecias dizem que os leões comerão feno com o boi (mesmo que haja um conteúdo antes simbólico nisto). Basta lembrar o alimento que Deus prescreveu ao homem no princípio, no Paraíso: "Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isto será vosso alimento" (Gênesis 1,29). E nisto está o melhor símbolo do vegetarisnismo: frutos, nozes, cereais, vegetais e legumes. Embora se possa empregar também laticínios com parcimônia. Hoje em dia se pode fazer muita coisa com estes elementos, de modo que apenas a ignorância justifica a persistência na dieta carnívora.

O alimento físico é certamente uma base. Sobre ela se estrutura o psíquico, e sobre este o mental. Obviamente, o físico deve ser sempre o mais fácil e tangível. Aqueles que adentram na espiritualidade sem ter em conta adequadamente as reais necessidades do veículo físico, não asseguram bases sólidas para as realizações superiores. Afinal, não são apenas elementos físicos que se encontram envolvidos nisto. O vegetarianismo traz também um forte componente de compaixão por toda a vida, assim como uma compreensão mental das leis naturais e da evolução. É por estes últimos, de fato, que serve de base efetiva e credencia para evoluções posteriores.

O Novo dharma prescreve, através do Apocalipse de São João: "ficarão de fora os assassinos e os homicidas". E isto não se limita, na verdade, ao crime supremo de matar outro ser humano, embora até o pareça. Toda a morte animal está incluída. É claro que o homicídio pode ter várias fontes, entre elas o fanatismo político, religioso e amoroso. Mas também o suicídio tem tantas vertentes, sobretudo o suicídio lento através do uso de entorpecentes, que distorcem a natureza deste templo divino dado a cada um que é o corpo físico. A coragem de buscar crescer e se curar é um elemento vital. Por isto diz o Apocalipse: "Ficarão de fora os covardes".

Quem julga difícil disciplinar o físico a este nível elementar –como: não fumar, não comer carne e não agredir– deve deter-se e refletir profundamente sobre suas condições existenciais. É natural que o mundo antigo traga tantas crises e conflitos. Mas o panorama aberto pelo dharma, deve motivar a todos, sem excessão, a se regenerarem, a se modificarem, e a se aperfeiçoar. São tremendas as perspectivas de auto-realização no dharma.

Tanto é assim, que as etapas seguintes que se abrem àquele que sabe disciplinar-se de forma elementar seus sentidos, afastando-se de vícios, é o equilíbrio nos relacionamentos, inclusive conjugais, o que capacita o indivíduo a chegar à conhecer sua Alma-Gêmea, trazendo-lhe as mais belas e inimagináveis experiências e felicidades. E isto tampouco é mera hipótese. Pois, no dharma, isto se constitui uma verdadeira Ciência, com suas bases, meios e fins, científica, filosófica e epistemologicamente implantadas. O novo dharma prescreve, através do Apocalipse de São João: "ficarão de fora os cães, os impúdicos e os fornicadores". Assim, a pureza e a castidade são virtudes valorizadas, tendo em vista o amor universal que inclui é claro a forma suprema do contato com a Alma-Gêmea, a única que de fato proporciona aquela síntese sagrada entre castidade e sexo, mas a qual apenas pode ser reconhecida a partir do nível da Alma; razão pela qual torna-se essencial despertar esta dimensão dentro de cada um, através da religião, da devoção, da fraternidade, da compaixão e da indenidade. Diz o Apocalipse: "Ficarão de fora os infiéis".

No mesmo sentido, a Mente deve ser mantida pura e elevada, voltada para assuntos superiores e não se macular ou poluir com coisas mesquinhas e menores. Naturalmente, isto precede toda a possibilidade de se deter em assuntos tão elevados como as verdadeiras Ciências sagradas. Deve ser treinada e refinada. A veracidade deve ser sempre fomentada, de modo a não se cair no vazio e atrair carma. Está escrito no Apocalipse: "Ficarão de fora os que amam ou praticam a mentira".

Nos melhores casos, a auto-realização emocional plena adquirida pelo contato cabal com a contraparte que nos completa, proporciona base ideal para uma mente estimulada, sadia e iluminada, apta a galgar as mais altas esferas de conhecimento –e também servir como instrumento para captar energias cósmicas. Pois o que tem-se em vista aqui é mais que a "Mente Iluminada" do Budismo, conhecida como Bodhicitta: é a "Mente Criadora", Bodhichchhâ. Esta Mente poderosa deve ser adquirida pelo: a. treinamento individual com o Dharma, b. pela comunhão com a Sangha e, c. também pela influência do Buda e seus Ar-hats.
Esta etapa se relaciona à Nova Raça e à Alma divina ou Sambho
gakaya.

3ª Grande Verdade: MAYATRI

Mayatri é a análise cósmica que pode nos conduzir a Tula e daí a Tushtî.
As Ciências espirituais devem ser encaradas com sabedoria, e o Ashram oferece os meios para isto. As Ciências tradicionais recebem hoje um grande impulso, pois é forte o interesse das pessoas por estas expressões mais sutis de conhecimento, na entrada da Nova Era –até porque os tempos apontam claramente para uma síntese entre todas as formas de conhecimento.

Porém, sob a influência do mundo corrupto e material, a forma como tem sido praticadas tornam dúbios os seus efeitos. As ciências sagradas devem seu usadas para redimir o mundo, ao invés de se deixar que o mundo é que corrompa tais ciências.
Vale lembrar então, que o Apocalipse prescreve que não entrarão na Cidade Santa (ou seja, no universo do Dharma) "os adivinhos, os magos e os idólatras".

As Ciências sagradas são reveladas de fato aos estudantes do Dharma, como tem sido feita em grande parte já, servindo isto como base segura para a vindoura síntese. São apresentadas como formas puras e científicas de conhecimento cabal, codificadas sobre as estruturas de experiência nos diversos níveis de construção do Ser. A base para isto é, claro, a Ciência do Microcosmo, elaborada pela Encarnação divina, que de resto, é a primeira que a configura de forma pefeita e cabal.
Esta etapa se relaciona à Nova Era e à Personalidade divina ou Nirmanakaya.


Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS.

Mayatri: A "Terceira Grande Verdade


Nos últimos 2.500 anos o homem vem trilhando caminhos de resgate interior, pois esta é a natureza das grandes filosofias que tem impulsionado estas civilizações. Este processo chega em nossos dias ao seu auge, uma vez que 2.500 anos é o período limite para qualquer dharma. Por isto tais civilizações entram em bancarrota. Suas instituições não são suficientes para fazer frente às novas necessidades mundiais, e a própria civilização entra em decadência ou volta-se para dimensões mais complexas e desafiadoras, exigindo novas respostas da humanidade. E estas respostas surgem sob medida através dos sábios das raças especialmente predestinadas a gerar o novo. Pois ainda que surjam neste processo expressões materiais polêmicas, elas necessariamente serão apenas o reflexo deformado ou parcial de Verdades perfeitas que animam o mundo.

Considerando que a humanidade tem realizado o seu resgate interior, ele deve agora se conscientizar e aproximar as dimensões trabalhadas na sua evolução. Deve reunir os pares de opostos buscando novas sínteses, pois será isto que a levará novamente à Unidade e à Perfeição.

Todo este processo está particularmente contemplado no novo dharma do Buda Maitreya, através da dialética dos chamados Espelhos de Sabedoria, que inventariam e reunem todas as dimensões do cosmos.
O caminho dos Espelhos de Sabedoria representam a Terceira Grande Verdade do novo Dharma, e o trabalho com estes Espelhos visa conduzir ao Equilíbrio, que é por sua vez a Segunda Grande Verdade do novo Dharma, e através deste equilíbrio alcançar por fim a unidade, vista especialmente como Felicidade, nome da primeira Grande Verdade do Dharma de Maitreya.

No Caminho dos Espelhos, trabalha-se basicamente com quatro pares de opostos, os quais também podem ser encontrados em várias filosofias do mundo, como nos 8 trigramas do Taoísmo ou na Ógdoade egípcia e suas 4 parelhas elementares, além de corresponder aos quatro Tezcatlipocas ou Bacaabs ("Espelhos Fumegantes") dos pré-colombianos. Em termos gerais, o budismo se vale do símbolo do espelho para representar a visão perfeita e a percepção clara dos fatos, sem as distorções de miasmas pessoais que constituem os "três venenos" do desejo, da cólera e da inveja. Certas correntes ocultistas empregam espelhos para ter acesso a outras dimensões. Como as águas, o espelho tem a capacidade de refletir o Plano Astral e revelar as coisas ocultas.

A simbologia dos espelhos na filosofia é, portanto, antigo, assim como o emprego de espelhos na magia é uma tradição. O ensinamento dos Espelhos de Sabedoria traduz estes princípios universais numa nova linguagem. Particularmente associado ao elemento "Água" por razões óbvias, a filosofia dos Espelhos de Sabedoria apresenta uma natureza psíquica, servindo como elo universal entre as novas verdades raciais e os novos processos hierárquicos, sendo assim capaz de conduzir a uma esfera ou a outra. Todo o verdadeiro dharma apresenta esta universalidade, que não se colore por elementos particulares mas serve como pano-de-fundo para a emergência das verdades pessoais. Neste sentido, o Dharma de Maitreya é também um resgate de Sanat Dharma, nome que recebe o Hinduísmo na Índia, significando "Verdade Eterna" ou "Filosofia Perene".

Os historiadores profanos comumente proclamam que o Hinduísmo manifesta ampla capacidade de adaptação e tolerância às novas religiões, razão pela qual ostenta "mais de 300 mil deuses". Na verdade, o Hinduísmo sabe harmonizar as duas concepões de tempo, o tempo linear e o tempo circular, de modo que ele se abre também à evolução, ao mesmo tempo em que preserva a tradição. É esta exatamente a grande característica de Sanat Dharma e aquilo que assegura a sua perenidade.

Os Espelhos de Sabedoria são por isto uma expressão da Totalidade. E representando um tal inventário das energias cósmicas, elas naturalmente incluem as linhas diretrizes de todos os dharmas locais. Assim é que o Espelho de Hierarquia, que reflete o Superior e o Inferior, figura no Hermetismo através do princípio de que assim como é em cima é em baixo e vice-versa; o Espelho de Gênero, refletindo o Positivo e o Negativo, surge no Taoísmo mediante o parelo entre Ying e Yang; o Espelho de Tempo, que reflete Passado e Futuro aparece no Hinduísmo e no Judaísmo através da idéia do carma ou de causa-e-efeito; e o Espelho de Espaço aparece no Budismo com a análise da correlação entre o interior e o exterior. Estas quatro polaridades, presentes nos oito raios da Roda da Lei (Dharmachakra) no Oriente, demonstram pois que o novo dharma vem reunir todas as antigas filosofias.

O homem apenas pode crescer e evoluir quando tem consciência de totalidade, quando sabe abranger e incluir. Esta consciência representa a base ética que dá acesso às matrizes energéticas do nosso futuro, ao nosso arquétipo eterno e perfeito, no qual todas as dimensões se acham em harmonia.


Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS.

(continuação) Os Espelhos de Sabedoria


Feitas estas considerações, que nos posicionam histórica e doutrinalmente, passemos a analisar em maiores detalhes os caminhos ocultos nos Espelhos de Sabedoria. Num primeiro momento devemos tratar de afirmar os opostos, para depois contrastá-los entre si, e então obter uma síntese central, que será o equilíbrio, dando acesso aos Quatro Portais Sagrados: Realismo, Amor, Infinito e Eternidade.
A síntese abtida através dos Espelhos de Sabedoria representa fórmulas de "Vazios" (Sunya) e caminhos de "Magia" (Maya), de classificações transcendentes ou absolutas (significa "indiviso"). Nisto, também observaremos todo o tempo aspectos comunicantes entre os Espelhos ou entre seus reflexos.

a. "Superior e Inferior": O Espelho da Hierarquia.

O Espelho do Realismo nos posiciona no centro dos polos opostos muitas vezes designados "céu" e "terra", ou entre o "espiritual" e o "material".
À medida que caminhamos na vida percebemos que existem aqueles que se encontram acima de nós e também os que se acham, abaixo de nós. E com isto nos sentimos como elos de uma grande cadeia. Esta é a nossa posição verdadeira no quadro da evolução, sejamos quem formos. Aqueles que fogem à esta regra são excessões ínfimas, ainda que importantes.
Por isto um dos grandes símbolos da vida é a "escada de Jacó", aquela imagem na qual Jacó viu anjos subindo e descendo do céu. Subir e descer são os movimentos inelutáveis da roda da fortuna ao qual ninguém pode escapar, nem mesmo os anjos. Afinal, assumir uma missão na Terra acarreta em adquirir esperiência nas coisas materiais. Os ciclos espirituais são dialéticos; no serviço à luz por vezes subimos e por vezes descemos.
Este Espelho ensina a honrar e servir os superiores e a honrar e servir os inferiores, na medida em que todos fazem parte de uma harmonia maior. Se isoladamente as classes mostram tendências definidas, no conjuto da sociedade vamos encontrar o verdadeiro equilíbrio. Cada um pode ser feliz na tarefa que lhe cabe, seja ela qual for. A grande regra é conhecer o seu dever e cumprílo.
A humildade e a simplicidade não são questões menores. Toda a boa obra tem as suas bases bem assentadas no solo da justiça. Os simples e os humildes cumprem a sua parte na evolução do mundo. Não podemos pretender mudar tudo de uma hora para outra, pois assim chocaríamos os simples e se geraria destruição: tudo deve ter seu tempo de maturação. A humildade está em reconhecer as virtudes de todos e também que todos necessitam sempre crescer e se aperfei¬çoar.
A aplicação prática mais direta deste princípio diz respeito à relação mestre-discípulo. O mestre necessita do discípulo como este necessita do mestre, não para benefício mútuo, mas para a geração de algo trans¬cendente, tal como numa orquestra a sinfonia resultante da colaboração entre maestro e músicos transcende os valores individuais de todos eles.
O mestre necessita servir o mundo e à evolução para seguir seu caminho infinito. E o discípulo necessita servir a hierarquia que conhece os caminhos da evolução. O mundo necessita tanto de trabalhadores simples como de sábios e iluminados.
Uma obra necessita ser coroada com o seu telhado, ter sua proteção e amparo. Os guias são imprescindíveis para o progresso real de um povo. São eles que dinamizam e purificam as sociedades.
O homem superior necessita ter subordinados, e os homens simples necessitam ter seus guias. Os simples compreendem que não podem andar sozinhos: eles desejam modelos nos quais inspirar-se. E os melhores entendem que trabalham pelos humildes, pelos quais inclusive deve se sacrificar, num quadro de harmonia onde os filhos recebem dos pais, e onde os filhos também chegarão a ser pais por sua vez. O sábio com¬preende este ciclo e se posiciona no seu centro, ali onde o tempo se anula para dar lugar ao estado de Realismo.
O Realismo se relaciona à realeza. De fato, o Realismo denota a postura do rei, posicionado entre o céu e a terra como um intermediário perfeito e transcendente, um elo mágico entre o superior e o inferior. De fato, esta é a verdadeira esta é a condição humana, destinado a despertar e vivenciar o Ser e a existir como consciência pura, além do céu e da terra.


b. "Positivo e Negativo": O Espelho de Gênero.


O Espelho de Gênero nos leva a refletir sobre a nossa polaridade pessoal e o seu valor no plano da criação. Descobrimos que tudo tem a sua polaridade mo uiniverso, mas também que existe uma condição mágica na qual estes opostos se aproximam, incluem e superam mutuamente, ainda que por um átimo crepuscular. No fim, descobrimos que toda a existência é também um reflexo fugaz na Dança Cósmica de Criação e Absorção das formas. Esta magia corresponde ao Portal do Amor, que representa em si a uma forma de androginato, espiritualmente entendido, de modo que não diz respeito a procurar imitar o genero oposto, mas simplesmente em expressar o próprio gênero de forma pura e equilibrada.
Assumir plenamente o nosso gênero, com seus respectivos desafios, é também um caminho de luz, pois a condição de homem e de mulher comporta valores nobres. Assim, o homem deve buscar a masculinidade e a mulher deve buscar a feminidade. De fato, ser homem e ser mulher representa aspectos de equilíbrio, na medida em que difere de ser macho ou ser fêmea (no sentido de ser machista e feminista), aspectos extremos sempre sujeitos a radicalismos. A tendência ao exagero surge como compensação de uma falta interna e na ausência de um caminho real. Desenvolver os valores masculinos e femininos é o caminho para o equilíbrio. Apenas quando centrados é que podemos realmente conhecer as maravilhas de ser homem ou mulher.
A mulher deve cultuar o masculino cósmico através da religião paternal (monarquia, sacerdócio), e o homem deve cultuar o feminino cós¬mico através da religião maternal (naturismo, socialismo). Estes cultos de amor geram a complementaridade e a harmonia interior. Apenas contrastando com o oposto é que podemos afirmar a nossa verdade última. E a busca do caminho espiritual revela que estamos desejando algo maior e mais pleno. E com isto nos preparamos para os grandes encontros de nossas vidas, especialmente com nossa alma gêmea.
O Portal do Amor representa o surgimento do androginato espiritual, que é um estado transcendente no qual já não existem anseios de complementaridade porque ali tudo é Um. O tema diz respeito à assexualidade da Alma, assim como ao chamado "sexo dos anjos", que não dispensa o gênero, mas sim o desejo.

c. "Interior e Exterior": O Espelho do Espaço.

O Espelho do Espaço nos leva a refletir sobre o nosso dom de presença no mundo, seja presença interior como peresença exterior, e cujo equilíbrio conduz ao Portal do Infinito. Expressa a nossa posição diante da existência.
Num primeiro momento, este Espelho de Sabedoria trata da influência mútua entre o ambiente e o indivíduo, entendendo o ambiente seja como o espaço físico, seja como espaço social. A interação homem-ambiente segundo a estrutura física e sua influência sobre a saúde geral é estudado na Psico-Ecologia. A interação homem-sociedade é tratada no Comportamentalismo.
Outro dos aspectos que vela este Espelho é a correlação entre forma e essência ou entre a imagem e a realidade. A preocupação com a auto-imagem num mundo exteriorizado como o nosso costuma ser imensa. Mas o fato é que a geração desta verdadeira casca sobre a nossa essência, tende a impedir a entrada de luz e a bloquear nossa alma.
O Espaço é tambérm a dimensão social do Eu e do Outro vistos como entidades que ocupam o espaço interior e exterior.

d. "Passado e Futuro": O Espelho de Tempo.

O Espelho do Tempo nos dá a oportunidade de refletir sobre alguns dos fatos mais importantes da existência, como o início e o fim da existência, mas também de suplantarmos tanto quanto possível esta dualidade através da harmonia entre nascimento e morte através no Portal da Eternidade.
Inicialmente, devemos refletoir sobre o passado. O Passado está representado por muitos fatores, como as nossas origens espirituais, as raízes telúricas e a nossa idade física.
Desde o ponto de vista pessoal, o ato de nascer marca o ponto mais remoto de nosso passado. Trata-se de um evento maravilhoso. Alguns dizem que se trata de apenas mais um nascimento numa cadeia mais ou menos infinta de renascimentos, enquanto outros dizem que se trata de um evento único e insubstituível. Existem tam¬bém visões que procuram se equilibrar entre ambas as posições. Seja como for, devemos ter gratidão pelo nascimento e tratar de aproveitar esta oportunidade, coisa que ao fim apenas poderemos fazer bem equilibrando com o momento oposto, que é o da morte.
Também podemos assumir o passado honrando a nossa antecedência, através dos antepas¬sados, dos ancestrais, dos mestres e dos nossos pais, assim como a todos aqueles que entraram em nosso caminho, aos quais devemos ser gratos. E devemos tratar de retribuir o que nos legaram, o que fazemos especialmente através da geração de nosso futuro e da herança que por nossa vez legaremos aos que vem depois, o que nos leva ao ítem seguinte.
O futuro pode ser visto, portanto, como aqueles sobre os quais a nossa influência incide diretamente, como nossos filhos, descendentes e alunos. O sábio não trabalha apenas por sua geração. Ele entende que os frutos de seu trabalho serão melhor compreendidos pelo futuro.
Ter consciência de nossos deveres para com as futuras gerações acarreta em bom carma e permite com que colhamos os melhores frutos na vida. Pois o futuro representa também o nosso Plano existencial. Para chegar a ele devemos lutar por nossos projetos de vida, que podem ser individuais, conjugais, coletivos ou espirituais.
Aqui também entra assumir a nossa idade, sem maquiagens ou pinturas. A nossa aparência externa não deveria ser ocultada porque expressa uma verdade a nosso respeito, cabendo-nos antes assumir dignamente esta realidade e tratando de desenvolver o lado positivo desta situação –porque ele sempre existe. Aquele que usa uma máscara apenas revela que não aceita o destino, e além de não cultuar o seu lado positivo, ainda oferece uma imagem falsa e inútil.
À medida que este corpo se desvanece, devemos despertar mais intesamente para a nossa existência além desta vida, que será o nosso futuro. Para isto não podemos ocultar o passado, pois sem ele tampouco teremos o nosso futuro, que é tão ou mais importante que o passado.
A consciência da morte é a única coisa que nos permite viver como devemos, cientes de que esta existência é finita no tempo e que deve ser aproveitada da melhor forma possível. Este aproveitamente é feito sim tendo as experiências possíveis e necessárias, mas sempre buscando o equilíbrio entre quantidade e qualidade.
Para que a consciência da morte não se torne algo mórbido, ela deve ser equilibrada com a consciência do nascimento. Isto é, devemos pensar que a morte poderá ser um novo nascimento. Mas para isto, necessitamos tomar as medidas cabíveis, que é viver com intensidade e equilíbrio.
Este evento sempre trágico representa o maior desafio da vida, e sem ele nos tornaríamos vulgares e diabólicos. Apenas crescendo na sua consciência e tomando as medidas necessárias para vencer tanto quanto possível esta barreira, é que assumimos realmente a nossa missão e cumprimos nosso plano existencial.
Para isto buscamos os caminhos que levam à Eternidade, como todas as formas de religião ou como todas as formas que a religião única aponta como caminhos e etapas para alcançar o Além. Quando por fim adquirimos segurança de transcender o tempo, entramos num outro universo pelo Portal da Eternidade.


Da obra "Dhamra - a Canção da Vida", LAWS.

Madhyamika: O Eterno Caminho-do-Meio


O equilíbrio tem sido sempre uma das grandes bases das religiões. O Budismo e o Taoísmo o professam de forma aberta. No Hermetismo, a sentença "assim como é em cima é em baixo..." visa uma posição de equilíbrio, razão pela qual a Grande Obra termina com o "Caminho de Retorno". A sabedoria do Velho Testamento também aponta nesta direção. E quando Jesus declara "sede mansos como as pombas e astutos como as serpentes", ele certamente está propondo uma conduta de equilibrada. Pois o mais fácil é entregar-se a um extremo de forma simplista, seguindo as nossas tendências naturais. Dentro de nossa natureza vamos encontrar virtudes e defeitos. Mas enquanto estas energias não forem conscientizadas, não existirá o verdadeiro equilíbrio, e sim uma oscilação sempre instável de bem e mal, de forma tal que devemos antes falar de impureza. O equilíbrio difere da impureza na medida em que esta segue a via dos extremos.
O fato é tudo tem um lado bom e um lado mau. Entregar-se a extremos inevitavelmente trará o seu oposto. Por isto, para ser justo com os fatos, o Buda ensinava que, quando estamos alegres, devemos pensar que esta alegria irá terminar um dia, e quando estamos tristes, que esta tris¬teza também irá acabar. Assim mantemos a serenidade em todas as si-tuações e talvez até evitemos o surgimento de uma onda contrária.
O Caminho-do-Meio é a via do equilíbrio. O ditado "nem tanto ao céu, nem tanto à terra" expressa este caminho.
Mas acaso tal equilíbrio será capaz de prover a intensidade necessária ao caminho espiritual? Buda abandonou o seu ascetismo extremado e assim chergou à iluminação, mas apenas depois de praticá-lo por muito tempo.
Nem sempre é simples definir o adequado a cada caso, posto que cada situação merece uma atenção própria. Cada um tem o seu darma.
E a intensidade pode ser buscada de muitas maneiras. Inicialmente, é preciso ser tão íntegro quando possível, pois assim purificamos as energias, e aquilo que é puro também é intenso. Mas também devemos contar com uma fonte especial de energia, na forma de seres que têm realizado este equilíbrio.
Pois o discípulo realizará muito esforço com pouco proveito se não tomar certas bases tradicionais, como o ashram e o guru. Sem se dar conta, o ser humano estará se desviando de seu caminho. A imitação da virtude toma a forma do fanatismo, por exemplo. E quanto mais se esforce, mais crescerá o ego, revestido de "materialismo espiritual" (para usar uma expressão de Chogyan Trungpa). E desta forma o "caminho-do-meio demonstra apenas a sua caricatura através do "meio-do-cami¬nho".
A via do equilíbrio é difícil. Daí ter sido forjada a expressão "fio-da-navalha". É tão fugidio quanto o crepúsculo e tão sutil como o presente.
O verdadeiro equilíbrio apenas é obtido de forma natural numa quarta etapa, na consu-mação do "Caminho de Retorno". O guru servirá de modelo, mas a imitação do mestre deve ser acompanhada da obediência e da humildade.
Assim, nos estudos que seguem, devemos lembrar que estes caminhos sempre requerem o guru e o ashram.

A Dualidade como Base de Transcendência

A questão da polaridade é desde sempre um fator de harmonia no universo. O Taoísmo formula isto muito bem através da filosofia de Ying e Yang. A composição de nossos cromossomos também está feita em pares, e em nosso corpo observamos uma ampla distribuição de dualidades, a ponto de mesmo órgãos únicos como o coração e o cérebro se encontrarem divididos em grupos de pares.
Naturalmente, como tudo o mais, a dualidade não se justifica apenas por si mesma, mas também por aquilo de que deriva e por aquilo que produz. Ela deriva diretamente da Unidade divina, sendo o primeiro ciclo de diferenciação do universo. E aquilo que ele produz é a dialética cósmica, a mutualidade e a transcendência, ou o retorno à unidade através da combinação e da multiplicidade. Não se trata, pois ,da busca pela coisa-em-si, de qualquer dos opostos, mas do equilíbrio, da magia, do absoluto ou do indiviso. Diz o Tao Te King: O Tao produz o Um; o Um produz o Dois; o Dois produz o Três e o Três produz todas as coisas."
De fato, o valor secreto de 2 é 3 (ou seja: 1+2=3), e em termos qualitativos, o dois gera o Terceiro Princípio, que é o da Dialética. Por isto a visão requer a participação de dois olhos, única forma de se obter a chamada "perspectiva" ou a profundidade, que representa a Terceira Dimensão do Espaço na Física moderna (na Tradição de Sabedoria temos a imagem do "Terceiro Olho", de certo modo associado a isto). Sem este contraste tudo o que temos é uma imagem plana, incapaz de oferecer a possibilidade de movimento. E nisto, podemos pensar que tal dimensão de transcendência também se aplique a todos os restantes sentidos e seja um resultado universal do Princípio de Contraste.
Mas em termos quantitativos, podemos observar que o dois também produz diretamente o quatro. Por isto vemos no Taoísmo que Ying e Yang também geram o Pequeno Ying e o Pequeno Yang, também chamados Céu e Terra –ou seja, os elementos "Ar" e "Terra", ao passo que o Grande Ying e o Grande Yang originais correspondem aos elementos "Fogo" e "Água". O Pequeno Ying e o Pequeno Yang surgem das combinações entre o Grande Ying e o Grande Yang.
Na simbologia medieval dos Quatro Elementos, podemos observar a mesma derivação simbólica. "Ar" é "Terra" são representados pelos mesmos triângulos de "Fogo" e "Água", porém com um traço horizontal indicando uma limitação de tendências ou uma divisão interna de influências.
No símbolo do Tao, o Grande Ying e o Grande Yang estão representados como energias em movimento, enquanto que Pequeno Ying e o Pequeno Yang aparecem como pequenos círculos situados no centro dos anteriores, no caso, sempre reunidos em cores ou princípios opostos.
Esta geração de um segundo ciclo representa também a separação entre os pricípios opostos associados ao Caos original. Nos mitos genésicos temos a criação como fruto direto deste contraste original. Na teologia egípcia é o Ar (Shu) separa a Terra (Gueb) e o Céu (Nut), tal como no Genesis o Firmamento e a Terra são gerados depois de separadas as águas do Caos original.
A rigôr, a Terceira Dimensão (profundidade) não pode ser dissociada da Quarta Dimensão (tempo). É na prática impossível pensar em profundidade verdadeira sem o processo de percorrê-la, a menos que estejamos tratando de mera "perspectiva" representativa, como fazen os artistas em seus quadros. Podemos então traçar as seguintes correlações:

1ª Dimensão ........................ Fogo
2ª Dimensão ........................ Água
3ª Dimensão ........................ Ar
4ª Dimensão ........................ Terra

Na estrutura destes Quatro Elementos, podemos observar que eles realmente surgem como síntese de energias opostas, e neste caso corresponde antes de tudo ao princípio satwa ou ao ritmo fixo no Zodíaco. É o equilíbrio dos opostos que dá lugar à estas energias construtivas e portanto iniciáticas.
O contraste é, pois, aquilo que produz a evolução, através da transcendência dos opostos. Mas a fim de obter esta transcendência, devemos alcançar o perfeito equilíbrio entre estes opostos. A Grande Arte está em colocar-nos devidamente no centro do universo, tendo à nossa volta todas as dualidades cósmicas em harmonia.

Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS.

Mandala: o Inventário Dimensional


Da mesma forma como os Espelhos de Sabedoria são Fórmulas de Contraste de Opostos e, por isto mesmo, são caminhos de Transcendência ou de Unidade, a reunião de todos estes Espelhos oferece um quadro prismático, como no conhecido "jogo de espelhos" onde a imagem se multiplica e assume novas formas multidimensionadas. A sua síntese pode ser simbolizada pelo cubo, cuja fórmula se resume na proporção 4:6 (seis faces quadradas).
Observamos também que, por sua natureza, certas dimensões apresentam muitos pontos em comum. Podemos reunimos estas expressões dimensionais nas suas tríades complementares.
O propósito do Inventário Dimensional –que traduz a essência da mandala universalista, ao modo do ba guá chinês–, é de o homem reunir a experiência dos opostos para suplantar a dicotomia, e chegar pragmaticamente a posicionar-se no centro de todas as coisas permanecendo no equilíbrio, e então através disto alcançar a experiência transcendente e conquistar a felicidade.
E isto pode ser aplicado a todos as situações da vida, as quais se acham contempladas no próprio Inventário Dimensional.
Genericamente falando, podemos nos referir aos quatro Elementos da Natureza. Mas uma das abordagens mais importantes diz respeito aos relacionamentos humanos. Nisto, o Inventário Dimensional podem resumir os quatro planos de relacionamentos: sociais, conjugais, profissionais e espirituais.

a. Relações Espirituais ........ Hierarquia ..... "superior" e "inferior"
b. Relações Conjugais ......... Gênero .......... "esquerdo" e "direito"
c. Relações Sociais ............. Espaço ........... "interior" e "exterior"
d. Relações Profissionais ..... Tempo .......... "anterior" e "posterior"

É óbvio que não se pode limitar nada a apenas a um par de opostos. Ainda assim, podemos determinar associações prioritárias. Assim, os relacionamentos espirituais são aqueles que de forma mais legítima podemos definir como hierárquicos. Por sua vez, os relacionamentos conjugais expressam o princípio de horizontalidade, como no símbolo de Gêmeos (Mithuna). Os relacionamentos sociais são aqueles que se manifestam mais amplamente no espaço cultural. E os relacionamentos profissionais associam-se ao cultivo do tempo através do ritmo do trabalho e dos frutos do labor.
De forma ainda mais básica, devemos de início buscar naquilo que temos de mais próximo, que é o nosso próprio corpo e seus sentidos de percepção, especialmente através dos orifícios do corpo, da seguinte forma:

O aspecto Hierarquia, visto como "superior" e "inferior", se relaciona aos olhos e às genitais
O aspecto Gênero, visto como "esquerdo" e "direito", se relaciona aos dois ouvidos.
O aspecto Espaço, visto como "interior" e "exterior", se relaciona ao nariz e ao umbigo.
O aspecto Tempo, visto como "anterior" e "posterior", se relaciona à boca e ao ânus.

Estes orifícios são veículos de trocas entre as dimensões, as quais também se refletem em nossos sentidos. E os quatro sentidos são: tato, gosto, olfato e audição. Cada coisa que fazemos deve captar todos os nossos sentidos. Se algum deles é ofendido ou apartado então existirá o perigo do desequilíbrio.
Esta é uma das chaves da Arte tradicional, tal como a hindu, que explora amplamente os sentidos. O bom orador ou escritor é aquele que explora imagens, sonoridades e o maior número possível de estímulos. Hoje em dia temos a crescente popularidade da chamada multimídia.
Um dos grandes segredos é que o equilíbrio possibilita a sutileza, que é uma forma de expressar a transcendência. Um manjar perfei¬tamente equilibrado pode saciar com pequena quantidade. Podemos ver que os pratos orientais são muitas vezes parcos em volume. Mas em compensação, são feitos com grande arte e esmero, inspirando naquele que os consome também uma absorção cuidadosa.
Este é apenas um exemplo, mas tal equilíbrio deve entrar em todas as nossas atividades, e em cada uma delas será capaz de revelar novas dimensões e até a sublime transcendência que paira acima delas.

Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS.

Sapta Sadhana: O Dharma do Arco-Íris de Maitreya


A doutrina dos Três Espelhos é o aspecto estrutural da doutrina dos Sete Raios".
"O Livro do Dharma"

O Dharma de Maitreya apresenta o setenário sob diferentes ângulos, sendo "O Dharma de Arco-Íris" mesmo um subtítulo da obra.
Antes de tudo, é preciso dizer que esta estrutura espelha a natureza da Nova Era, com sua essência setenária, regida que está pelo planeta Saturno (ou pelo 7° Raio, de Organização & Ritualística).
E este caráter setenário também traz consigo a questão da totalidade –leia-se: de FINAL DE CICLO CÓSMICO. A sétima etapa de um ciclo não é todavia um momento de esforço. A imagem do descanso divino ao sétimo dia, traz antes a idéia de celebração, de congregação e de integração.
Por isto o dharma de Maitreya investe de tal forma no inventário cósmico, na renião dos elementos, princípios e dimensões do universo, enfim, das estruturas da Criação.
Inicialmente, as triplicidades se espelham através das Três Grandes Verdades (Trisatya) e dos Três Espelhos de Sabedoria (Trimayas). Naturalmente, sempre se pode relacionar os elementos internos de grupos análogos. E aqui podemos vincular, por exemplo:

1ª Grande Verdade (Tushti) ....... 1° Espelho (Hierarquia)
2ª Grande Verdade (Tula) ......... 2° Espelho (Gênero)
3ª Grande Verdade (Mayatri) .... 3° Espelho (Espaço)

Podemos dizer que o 4° Espelho (Kala), o Tempo, realiza o elo entre os dois grupos.
Numa outra acepção, temos as polaridades dos três grupos espelhares, simbolizadas, por exemplo, pelos signos se Ar, com sua clássica simbologia dupla (ondas, Balança e Gêmeos –ver Quadro n° 8 em Tushita – O Reino da Felicidade).
Através disto, Aquário se relaciona à Hierarquia, Libra se relaciona a Gênero e Gêmeos se relaciona a Espaço. Seria importante observar que dois destes signos são setenários, um através do planeta regente (Aquário) e outro pelo próprio signo (Balança). O terceiro, por sua vez (Gêmeos), traz mediante Mercúrio uma síntese especial, como se observa pelo símbolo inventariante deste planeta, que reúne Sol, Lua e a cruz planetária-elementar –outra forma de setenário portanto.

Kâla: A Quarta Dimensão (Tempo)

"O Tempo é verdadeiramente a nova dimensão da luz."
"O Livro do Dharma"

O homem sempre conviveu com o Tempo, embora nem a consciência de que este pudesse configurar em si mesmo uma dimensão especial. É verdade que os Antigos exploraram muito os meandros da temporalidade, avaliando corretamente suas classificações e hierarquias, inclusive associando o Tempo à expressão das Energias, ao passo que o Espaço representa antes o aspecto visível das Formas. Modernamente, a Ciência também começa a compreender estes postulados.

Na verdade, apenas agora chega o momento do homem se capacitar a explorar com maestria as possibilidades do tempo enquanto uma dimensão criativa de consciência. Ocorre que a nova raça comporta já esta dimensão interior, definida pela realização da Mente na raça anterior. A Mente é um instrumento hábil que serve de ponte entre os mundos criados e incriados. E o Tempo representa já uma dimensão pós-criação.

Isto significa dizer que as verdadeiras ciências do tempo ultrapassam os limites da materialidade. Pois, se a dimensão-Tempo é uma esfera de energia pura, então a busca pelo domínio do tempo representa também a história da luta contra a morte.

Desde a raça atlante o homem vem realizando ensaios de domínio do tempo-energia. Mas os atlantes sabiam que não podiam compactuar esta dimensão com a existência física. Então trabalharam princípios que os permitisse a liberação da matéria na existência póstuma, desenvolvendo o poder pessoal e social. Daí a grande especialização que recebeu a Magia nesta época (posto que a Magia é a arte de manipular o carma e o tempo), gerando aquilo que com mais propriedade se pode denominar como Magia Negra, ao passo que os lemurianos, que os precederam, se mantiveram antes no campo da Magia Natural. Desnecessário é dizer que apenas os mais evoluídos tinham sucesso nestas empresas. Somente a Hierarquia, que então se encontrava em estado de formação, alcançava a vitória real sobre a morte.

Depois dos atlantes, também na raça Árya o tempo foi objeto de muitas investigações. Como raça tridimensional, os áryas tinham todo o poder sobre a dialética básica, chegando ao plano das Idéias perfeitas. Isto significou, é claro, também a possibilidade de neutralizar o tempo, alcançando a síntese do Vazio. Esta Raça, por sua vez, deu surgimento à verdadeira Magia Branca.

Todavia, o homem não detinha poder de explorar interiormente tal dimensão. O vórtice do tempo pairava ainda aberto na esfera espacial das Formas, sem gerar o Portal transdimensional que conduz à Quarta Dimensão, na qual as formas tornam-se plasmáticas e subordinadas ao tempo, quer dizer, tudo é visivelmente relativo e dominado a partir do universo interior, posto que o tempo é uma dimensão cujos verdadeiros postulados expressam energias psíquicas, posto que até o mais exterior deles, que é a "mensuração do espaço", exige para ser feito alguma forma de participação interior.
Esta nova conquista já existe hoje até ao nível de ciência.

Mas a nova raça também deve empreender uma síntese. É preciso compactuar tempo e espaço, ou seja, energia e ambiente. Tempo é energia interna, e espaço é ambiente externo. E para isto é preciso classificar o tempo em seus níveis estruturais, o que representa codificar ciências tais como os Antigos o fizeram. Houve um povo que foi especialmente genial nesta arte, e foi gerado pela síntese da herança atlante com a influência árya. Estes atlantes tardios foram os pré-colombianos, os chineses e os egípcios. Todos realizaram um amplo culto ao universo interior, e tiveram o seu "livro dos mortos", que não alude apenas à morte física, mas também à liberação da matéria em si. Quando o homem preenche certos requisitos de consciência, então esta capacita-se a deixar o corpo físico. A grande arte é obter isto ainda em vida: apenas isto garante a sobrevivência real. E é esta uma das grandes conquistas que a nova raça deverá realizar. Diz o "Livro do Dharma":

"Paradoxalmente, a conquista da relatividade conduz ao Absoluto, ao pleno poder sobre a Criação. Certamente, a arte da liberação do corpo físico ainda em vida será uma das grandes metas."

Existem formas de se obter esta grande conquista, algumas bastante perigosas. A rigor, apenas os Altos Iniciados ainda podem usá-las com segurança. O importante é a consciência perene de que as chaves para o acréscimo de poderes a nível racial, depende da organização da sociedade em termos superiores. Apenas com isto, tem-se a segurança de que as coisas permanecerão sob controle, além de se poder definir um padrão de qualidade satisfatório no ambiente social, já em si mesmo consciente das verdadeiras Metas raciais.



Conheça também a obra “Tushita - o Dharma de Maitreya” 


Sobre o Autor

Luís A. W. Salvi é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV 

Imagem: LAWS  no Templo de Kwan Yin, 2008, Alto Paraíso.